“O mundo é louco, meu bem. Deixe-me lhe contar um segredo antigo, mas muito eficaz: só pega o trem quem não tem medo de pular em qualquer estação aleatória. A lógica é meio difícil de ser compreendida, mas é a mais pura verdade. O mundo não é dos quietos, certinhos e calados. Esses, tadinhos, apenas existem. Vivem de verdade aqueles que dão a cara a tapa, que entram na briga, que dizem sem pensar, que não criam planos, que gozam do momento, que buscam o significado da felicidade além da teoria, mas também na prática. O mundo é dos loucos, meu bem. Dos Pirados. Surtados. Dos fora da lei. E dos fora da linha, também. Coitados dos sãs. Pobres mortais, iguais. Tão sem sal que até rimam, combinam, desanimam. Pena mesmo eu sinto dos covardes, que só tem peito pra falar, mas não tem palavra pra fazer. Os medrosos são indignos de viverem por tanto tempo. Aprenda, meu bem, é de graça: nenhum medo deve ser maior do que a nossa vontade. Faça, se quiser fazer. Com as consequências a gente se preocupa depois. Afinal, antes consequências do que remorsos, certo? Talvez. Se sentir vontade de falar, fale. Mesmo que a situação não seja oportuna, mesmo que seja fora de moda, mesmo que todos o apontem o dedo e riam de você. Pense o que quiser. Tenha opinião sobre algo, mesmo sem conhecer. E conheça, principalmente, pra fortalecer ou mudar a sua opinião. Seja justo. Não perca os seus valores, as suas raízes, o seu caráter. Este, enfim, no singular: caráter. Ser duas caras é pior do que ser qualquer outra coisa ruim. Viva, sem relógios marcando o tempo ou fotos pra relembrar o passado. Acorde todos os dias tendo a certeza de que esse dia é novo, diferente e único. O mundo é pra você também, meu bem.”
Capitule.